segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quase 21 anos e à beira do abismo dos 52 quilos

Meu aniversário é na semana que vem e céus, como isso me soa assustador agora que a ficha caiu. Nunca gostei de fazer aniversário mas fazer 21 anos me assusta mais que qualquer outro. E só me dei conta disso agora. Só agora me dei conta de que o ano passou e eu nem percebi. De que não só minha meta de janeiro não foi cumprida como consegui engordar ao ponto de voltar depois de tanto tempo pra casa do 50 por puro desleixo. De que me tornei uma pessoa mais apática e preguiçosa do que antes. De que minha vida continua no mesmo lugar mesmo depois de tanta coisa ter acontecido. Que eu continuo a mesma pessoa mesmo depois de tanta coisa ter acontecido. Que comer já virou algo automático e odiar meu reflexo no espelho também. De que minha última tentativa de ser enfim magra seria antes dos 21 porque depois disso emagrecer se torna mais difícil, e que mesmo sabendo disso, eu continuei comendo e comendo e comendo como se isso fosse tampar o vazio que tenho. Ignorando todo o resto. Empurrando a vida com a barriga...
Não sei dizer exatamente como me sinto em relação a vida agora, mas sei que deveria me sentir bem já que conheci um cara e estamos saindo, já que estou na faculdade e começo meu estágio na quarta, mas sempre tem um porém. Eu deveria estar feliz ou otimista ao menos. Uma pequena parte de mim está, mas ela é insignificante diante do medo e da certeza de que eu vou conseguir estragar tudo. Ela é insignificante diante da imensa preguiça que tenho da vida e das pessoas. Tenho ignorado isso durante meses, mas é essa a verdade. A verdade é que estou gorda a ponto da maioria das minhas roupas não me caberem mais. A verdade é que não importa onde e com quem eu esteja, vou continuar infeliz e entediada. A verdade é que nada nunca vai ser o suficiente e que talvez eu goste das ruínas, já que largo a terapia sempre e me esqueço de tomar os remédios. E a verdade dói. Mas mais do que isso, a verdade é inútil porque eu não tenho o que fazer com ela a não ser ignora-la todos os dias. Essa é a mais pura verdade.