domingo, 25 de maio de 2014

Passei o fim de semana quase inteiro afogada no mundo do caos que são os transtornos de personalidade na tentativa de encontrar alguma saída, algum remédio que não me transforme em uma obesa mórbida.
Acho que a anorexia nunca me perseguiu nem me assustou como agora. Ela não me deixa dormir sussurrando letra por letra em meu ouvido 'G-O-R-D-A'! 
Não tive coragem de iniciar a medicação apesar de estar em crise, em praticamente todos os pacientes que fizeram o uso do remédio o aumento de peso foi significante. Como posso me tratar desse jeito?! Será que não entendem que não é apenas uma questão de vaidade?
O que vale mais afinal, a sanidade ou magreza? 
Por mais doentio que seja, eu fico com a magreza. Mas eu não queria precisar tomar uma decisão que afetasse todos a minha volta. Me olham como se eu fosse louca. O que sou de fato. Odeio ser um peso na vida alheia.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Bipolar? eu?

Foi esse o diagnóstico. Pelo menos por enquanto. Só de pensar nessa palavra sinto vontade de chorar.
Ontem voltei na psiquiatra que me deixou morrendo de ódio no mês passado. Eu não queria voltar lá nem em nenhum outro, queria apenas seguir (ou pelo menos tentar) como se não houvesse nada de errado, mas é impossível quando tudo está errado.
Voltei a tomar o Fluoxetina (o que é ótimo) e agora terei de encarar o Olanzapina (que se tornou meu inimigo mortal após ler a bula e relatos na internet de que engorda pra caralho). Acho que a parte em que dá vontade de levantar e jogar a cadeira em cima da médica é quando ela tem coragem de dizer pra mim que remédios não engordam porque não têm calorias, o que engorda é comer demais (?!) Como se ela não soubesse que os remédios principalmente os estabilizadores de humor (ou calmantes de cavalo como costumo chamar) tem o poder infernal de aumentar o seu apetite e diminuir de forma inacreditável o metabolismo.
Eu respirei fundo e tentei não surtar, afinal sei que ela está preocupada com a anorexia e com a minha "desnutrição" (onde ela viu isso?), sem contar que está claro que preciso de estabilizadores de humor antes que eu coloque fogo em alguém ou em mim mesma.
Ontem chorei antes de dormir como a muito tempo não fazia. Chorei de medo, de decepção, de raiva e vontade de fazer tudo diferente. É difícil aceitar a verdade quando você precisa encará-la e pior, sozinha. 
Não quero ficar mais gorda, tenho pânico de pensar nisso e a paranoia está me perseguindo o tempo todo, por esse motivo aceitei ir ao nutricionista. Quero saber nos mínimos detalhes como meu metabolismo funciona pra poder encontrar um caminho definitivo a seguir.
Apesar das vozes me enlouquecendo aqui dentro, fiz um compromisso de tomar os remédios certinhos por um mês (porque sempre começo e paro) para ver como meu corpo vai se adaptar e se vou engordar ou não. Se eu engordar, paro com os remédios e com certeza me tranco dentro de casa.
Eu odeio estar em minha pele e ter que tomar uma decisão tão delicada quanto essa. Preciso dos estabilizadores de humor para me controlar e parar de surtar, mas eu preciso ser magra para me sentir menos repugnante e não cometer suicídio. A magreza é meu único consolo nesse mundo podre e ridículo, não posso deixar que isso também me escape.


sábado, 17 de maio de 2014

Alone...

Hoje foi o segundo simulado. E como eu fui? péssima como sempre. Mas pelo menos dessa vez eu sabia sobre o assunto da redação (que ficou uma merda). 
Ontem à noite comecei a surtar e fiquei estudando até tarde (apesar de saber que seria inútil pois parece que tem um buraco na minha cabeça por onde as coisas que eu aprendo somem). Vi que estava pirando e tentei me acalmar, larguei tudo e roubei 3 fluoxetinas da minha irmã, tomei um banho e fui dormir.
Acordei atrasada como sempre ¬¬' estava com o estômago péssimo o que me fez beber apenas um suco desintoxicante e ir para o simulado. Chutei as provas de matemática e física inteiras e pelo visto vai ser assim o ano todo (maldita discalculia)! Não fiquei tão nervosa quanto no outro o que foi ótimo.
A volta pra casa foi um inferno, cheio de favelado fazendo baderna dentro do ônibus (bando de gente sem educação e cultura) minha sorte foi que por acaso encontrei minha irmã mais velha e viemos conversando. Arrumei briga com uma favelada e quase enfiei a mão na cara dela (mas fiquei com medo de apanhar rs'). Sério, qual é o problema dessas pessoas?! Enfim, não vou me indispor com esse tipo de coisa...
Semana que vem volto na psiquiatra e espero que ela não venha com esse papo de desnutrição extrema outra vez ¬¬' senão arrumo outra pessoa que me dê os remédios que eu quero/preciso. Estou quase aceitando a proposta da psicóloga de ir 2x na semana, ando tão bad e cheia de tudo, tenho vontade de desistir desse curso e me jogar de um viaduto todos os dias...
Terminei minha redação sobre cigarros, é o tema das próximas semanas. Tudo bem falar sobre o quão maldito é o cigarro, como ele mata e como as pessoas são idiotas por fumarem, não quando só você na turma inteira fuma e os outros te olham com nojo (como se eu adorasse fumar)...

O amor é outra grande farsa que só piora tudo. Quando você precisa onde ele está?! (Frase sem sentido algum, mas que me deu vontade de escrever).





quinta-feira, 15 de maio de 2014

Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha...

O fim de semana foi... definitivamente desnecessário.
Tentei estudar, não consegui. O que eu consegui, não me lembro mais. As coisas ficam soltas na minha cabeça e me confundo o tempo inteiro. (idiota!)
Meus pais viajaram o que era para ser algo ótimo, a não ser por mim. Briguei com minhas irmãs, com os namorados delas, briguei com meu cachorro, com as paredes e por fim me vi brigando comigo mesma (?). Eu parecia um louca, e claro, a comida sempre é o refúgio ou o "foda-se" da situação.
Tudo se acalmou (mais ou menos) externamente, mas aqui dentro, continuo enlouquecendo, o pior, é que eu estou estragando tudo, como sempre.
Mal podia esperar para o dia da terapia chegar, estou me sentindo mais segura lá sabe? Acho até que estamos criando um vínculo, mesmo algo gritando dentro de mim dizendo que aquilo não passa de puro profissionalismo, afinal porque alguém iria se importar comigo mesmo?!
Nunca me senti tão sozinha como agora. Sabe quando você olha pro seus pais, irmãos, colegas de sala, pessoas dentro do ônibus (?) e percebe que você não encaixa em lugar nenhum, que não devia estar ali, que não faria a menor falta? É exatamente o que sinto agora (multiplicado por 100). Às vezes acho que a depressão nunca vai me deixar em paz.

Nesse fim de semana tem simulado outra vez e já estou me preparando para o pior. Acho que a parte mais difícil disso tudo (ou não) é ver que todas as pessoas que converso são tipo muuito mais inteligentes do que eu. Fico com medo de respirar perto deles, me sinto uma porta ou algo do tipo, isso me deixa mais deprimida. Eu estou tentando de verdade aprender (só que não). Mas o que acontece é que na maior parte do tempo eu não quero nada disso. Não quero ter que me matar de estudar pra disputar uma vaga com outras trocentas pessoas, para no fim não conseguir. Não quero ter um diploma, uma casa e um bom emprego para ser aceita ou para me sentir menos repugnante. Não quero passar a vida toda tentando ser algo que eu sei que não vou conseguir e não quero ser... deprimente e pessimista? Exatamente. 
Ás vezes tenho medo de enlouquecer de vez e sair por aí falando sozinha ou gritando com os outros na rua como vejo algumas pessoas fazendo. Não quero isso.
Minha esperança agora é conseguir a Ritalina pra ver se eu consigo aprender algo até o fim do ano.
Acho que consegui emagrecer o que havia engordado com o remédio (ou pelo menos um pouco) ele me fez inchar horrores. Entre compulsões noturnas e dietas á base de suco verde, eu vou seguindo. Acho que nunca senti tanta vontade de comer porcarias assim na minha vida, ainda bem que não tenho grana (nessas horas é bom ser pobre). Espero que isso acabe semana que vem, acho que vou voltar com a fluoxetina, sinto falta dela. E de pessoas com sentimentos também.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

De repente me vi comendo horrores. Outra vez...

Essa semana decidi definitivamente parar com esse maldito remédio que só me deu prejuízo. Em menos de um mês engordei quase 2 kg e isso é um horror. Não vou conseguir nunca me curar da depressão desse jeito, já que engordar me deixa deprimida!
Continuo indo á terapia e continuo querendo morrer. Minha terapeuta tem cobrado de mim atitude, e eu sei, é o que eu preciso. Mas sabe quando a decepção com a vida é tão grande e a depressão parece te amarrar na cama? Estou assim. Não sei como não larguei o cursinho até hoje.
Meus dias estão passando e eu fico aqui olhando os meses terminarem e começarem... 
Tenho ido ás aulas e só. Em casa não estudo, lá não presto atenção (não consigo!) e eu sei que vou me foder no vestibular se continuar assim. A boa notícia? Fiz amigos. Pelo menos é o que acho... 
Não sei porque faço isso mas toda vez que faço novos amigos minto para eles. A princípio tento ser uma pessoa diferente do que sou de fato, mas não adianta. Tenho medo de não me aceitarem assim pessimista (deprimida), sem vida social, fumante e falando palavrão o tempo todo, mas sem querer acabo sendo eu mesma. E acabo falando merda também. Tenho que parar de ser tão impulsiva e mentirosa. Mas no final todas as minha mentiras se tornam verdades mesmo...
Essa semana o professor de redação (que me dava um medo horrível) me chamou para conversar (ele estava fazendo isso com a turma toda) fiquei com medo, achei que ele ia me escorraçar pela nota do simulado (que foi péssima)... mas não era esse o motivo da conversa. Conheci um outro professor... aproveitei a oportunidade e falei com ele sobre minha dificuldade com algumas matérias e sobre como foi meu ensino médio totalmente conturbado (pela depressão) mas não falei que tinha depressão. Ele compreendeu e disse pra eu falar com os monitores e que estaria a disposição para me ajudar. Disse também que queria me ver participando (sou muito tímida) rs'. Isso me deu força para continuar, agora o resto é comigo (a parte mais difícil, claro). Tirando umas pessoas (que eu estou quase matando lá da sala) o cursinho está sendo bom pra mim...
Hoje, eu até consegui me controlar na comida, mas á noite, fodi tudo. Mudei de humor do nada e isso me deixa completamente descontrolada. Quero (PRECISO) começar uma dieta na Segunda- feira... que tudo dê certo e que a ansiedade não me engula.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Eu realmente acreditei por um instante que as coisas poderiam mudar.
Estou odiando o novo tratamento. Odeio o fato de ter que me tratar. Engordei horrores e sei disso só pelo fato me olhar. Os episódios de euforia, ansiedade e depressão estou voltando a tomar conta de mim e por mais que eu odeie dizer isso, as compulsões estão voltando e penso na maldita comida o tempo todo.
Tirei ontem e hoje para estudar, mas nada. Não consigo me concentrar. Parece ter uma zona em minha cabeça que não me deixa pensar. Isso me irrita. Além claro, da comida, que parece um fantasma a me assombrar até nos sonhos. Durante o dia, como feito louca, á noite, sonho que estou obesa mórbida. O inferno voltou. E os pensamentos suicidas também. E os ataques de ódio...
Como eu odeio ser eu. Como eu odeio a maldita depressão e o monte de remédios que coleciono mas que nunca funcionam. 
Quando é que eu vou começar a viver de fato?!




quinta-feira, 1 de maio de 2014

E quando eu finalmente me dei conta, era tudo sobre a anorexia.

O feriado da páscoa foi um desastre. Aqui nunca fomos de comemorar nem trocar chocolates e justo esse ano foi diferente. Acho que é por causa das minhas irmãs e seus namorados... Além de me sentir ridícula por não ter a capacidade me manter alguém por perto, ainda me entupi de chocolate e não estudei nada!
Esperei terça-feira chegar com uma ansiedade fora do normal. Eu nunca gostei de ir a terapia mas agora, vejo que isso talvez possa me ajudar. Falei para a psicóloga que não queria tomar os malditos remédios que a psiquiatra me passou porque eles simplesmente engordam! Acabamos por falar da anorexia, e ela não me cobrou uma recuperação, até porque não estou lá para isso. Não vou me amar como sou e vou me odiar ainda mais se engordar. Ela compreendeu.
Como as duas tem contato elas discutiram por telefone e a psiquiatra enfiou na cabeça dela que eu tenho anorexia e que estou morrendo por isso (talvez em partes ela tenha razão), mas no momento estou gorda como um boi e comendo quase tudo que vejo pela frente. Se ela continuar com essa coisa de anorexia na próxima consulta, eu saio e procuro outra pessoa. Nunca mais falo disso pra nenhum psiquiatra. Sinto tanta falta da fluoxetina...
O cursinho vai péssimo. Fiz novos amigos e isso é ótimo, mas me sinto horrorosa quando estou perto deles além de burra claro, porque são todos nerds. Não sei mais o que faço pra me concentrar e estudar em casa. Se dependesse de mim, ficaria na cama por semanas, não sinto vontade de fazer absolutamente nada. Viver está me cansando, queria me desligar somente, sem sentir.
Tenho pensado seriamente em tomar ritalina só até eu passar no enem. Conheço um cara que fez isso e conseguiu. Estou pensando ainda, afinal tenho praticamente todos os sintomas de TDAH me sinto um asno.
Não me peso há um mês e estou morrendo de medo de fazê-lo, não quero ver aqueles malditos números, mas preciso encarar a verdade. Talvez o faça amanhã.