sábado, 19 de outubro de 2013

Planos, planos e mais planos. É tudo que tenho agora...

Jurei pra mim mesma que pararia com isso, que pararia de fazer tantos planos, mas não consigo. Ás vezes parece que é só por isso que estou viva. Fico esperando que amanhã talvez, quem sabe, as coisas comecem a mudar. Eu sei, burrice da minha parte.
Minha irmã continua no hospital, isso tem alterado os ânimos da casa, mas nada fora do comum. Meus pais viajaram hoje, foram visitar a "família" da minha mãe. Eu não quis ir, não quis fingir. Não gosto daquelas pessoas, não os suporto, por isso achei mais sensato ficar aqui. Minha tia (que eu não a via muuito tempo, e que não fez falta alguma) veio pra cá depois de ficar noite passada no hospital com minha irmã. Eu disse que não era necessário, que eu e minha outra irmã ficaríamos muito bem sozinhas, mas ela insistiu. Não tive escapatória. Não gosto de vê-la, me lembro do resto da família. Me lembro que tenho família, mesmo que não pareça. Me dói porque passei a infância tentando fazer parte deles, tentando me encaixar, tentando ser aceita. Hoje, não faço questão. Mas eles sempre voltam, afinal nem foram embora, nem moram tão longe assim. E junto com eles, as lembranças, os problemas, a raiva... diante de tudo isso, não sei como me sentir, uma melancolia tomou conta do meu dia, deixou cinza o que já não estava mais tão colorido assim.... obrigada família.
Eu e minha irmã mais velha fazíamos planos de viajar, íamos para o Sul, mas o dinheiro que temos mal daria para pagar as passagens. Deixamos para depois, outra vez. Mas mesmo assim, eu queria viajar.
Comprei um tênis de corrida, pretendo voltar a fazer exercícios. Necessito urgentemente. E talvez coloque a velha bicicleta para rodar. Estou acomodada e isso é péssimo pra mim, em todos os sentidos.
Continuo procurando emprego...mas não sei se quero, a ideia de ser novata me assusta, mas eu preciso trabalhar, sair, conhecer gente...preciso viver antes que enlouqueça de vez.
Sobre o peso, tenho fugido das balanças. Ontem depois de chegar do hospital, comi tanto que achei que fosse morrer. Me entupi de lax e passei a madrugada inteira passando mal. Não devia ter comido tanto, não devia ter tomado lax porque o médico proibiu, mas agora está feito. Hoje, podia ter comido menos, mas andei pra compensar. Estou tentando não pensar muito nisso (mentira), não consigo mais contar as calorias das coisas, ás vezes me perco e ai deixo tudo ir ladeira abaixo. Preciso parar, retomar os cálculos, colocar limites. Eu quero isso, eu preciso disso pra me sentir feliz.Ou menos triste.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Eu sei, eu só preciso dar um passo por vez...

O tempo que passei sem postar, não me aconteceu nada, nada que me deixasse feliz.
Pretendia voltar aqui (apesar de entrar e ler as postagens sempre) só o dia que alcançasse minha meta, ou o dia que eu ao menos me aproximasse dela como as uns meses atrás.
De tudo que me aconteceu não pude levar nada de bom. E não, não está tudo bem e também não sei quando vai ficar. Isso me irrita, e muito.
Estou com problemas de saúde ( não são por causa da anorexia, não todos) até porque, do jeito que andei, nem parecia me importar em ficar cada dia mais gorda. Mas eu me importo, eu ainda me importo com cada grama de comida que eu como, eu me importo com cada grama a mais na balança...então porque eu finjo que não?Talvez seja pra não assumir minha fraqueza diante da comida... me sinto uma droga.
Tentei falar sobre isso com minha terapeuta (um equívoco da minha parte), acabei falando o que não devia, mas agora já é tarde. Pensei que ela talvez pudesse ajudar, me enganei.
Num dia desses, ela virou pra mim e me perguntou com um certo tom de desinteresse como quem questiona se irá chover ou não, se eu ainda continuava pensando que eu era gorda,porque eu não era (segundo ela). Aquilo pra mim foi como uma facada no peito, foi como estar nua em plena praça pública no meio de uma multidão. Mesmo com o rosto ardendo de vergonha, ódio e todas as sensações possíveis, eu disfarcei e mudei de assunto. Não quero mais falar sobre isso com ela e com mais ninguém que não entenda, e que não se esforce pra isso. Quando a sessão acabou ela me deu um abraço, não entendi nada daquilo.
Minha irmã mais nova está internada a quase um mês, e mesmo nosso relacionamento sendo uma droga, eu resolvi dar uma trégua, dar o braço a torcer (outra vez). Afinal, ela é minha irmã e odeio vê-la sofrer.
Nesse meio tempo, arrumei um emprego e já o larguei (perdi as contas de quantas vezes fiz isso esse ano), não sei o que acontece. Andei faltando muito nas aulas e passei apertada esse bimestre o que me deixa agoniada porque eu preciso me formar esse ano, sem outras alternativas. Até as aulas de violão (que eu amo) andaram me desanimando, me sinto péssima e acho que nunca vou evoluir.
Agora em casa novamente, fazendo um esforço enorme para ir as aulas todos os dias, para não faltar a terapia, para não surtar e não me matar, me sentindo uma gorda inútil, eu tento recomeçar de onde parei e perder os quilos nojentos que ganhei nesses últimos meses. Um dia de cada vez, tentando me controlar toda vez que meu estômago dói e me da vontade de devorar a casa toda.
Estou de volta a estaca zero, e sozinha, como sempre.
Ás vezes, eu só queria ir embora pra bem longe, recomeçar, sem esses pensamentos que não me deixam em paz.